O estudo nunca chegou a ver a luz do dia, pelo menos no que concerne ao material divulgado pelo Governo: nem nos CD, que Sócrates mostrou na Assembleia da República, em 2005, nem no site da NAER (Empresa responsável pela realização dos estudos do Novo Aeroporto de Lisboa).
Mas o PortugalDiário conta-lhe tudo sobre o estudo que considera que o Montijo é a melhor localização para o aeroporto. E a Ota é a pior de todas as opções.
O documento «Estudos de Localização» realizado pela Direcção de Estudos Aeroportuários, da ANA, em Agosto de 1994, defendeu que conjugando todos os aspectos se permitia «concluir com clareza pela vantagem da localização do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) na hipótese definida como Montijo B», lê-se no documento a que o PortugalDiário teve acesso.
Conclusão do relatório
Na apreciação final, os técnicos que realizaram o documento afirmam que «após apreciação dos vários estudos efectuados permite-se concluir que nenhuma das localizações é inviável». No entanto, «a conjugação de todos os aspectos permitem concluir com clareza pela vantagem da localização do NAL na hipótese definida como Montijo B». Seguida do Montijo A, Rio Frio e Ota.
Os vários elementos analisados foram: «aspecto operacional, perspectiva da engenharia, aspecto ambiental, perspectiva de acessibilidades, esforço financeiro e operação simultânea com Portela». O PortugalDiário deixa-lhe aqui algumas conclusões expressas no documento.
Aspecto operacional
Quanto à segurança das operações devido ao risco de «colisão com obstáculos» não foram identificados grandes problemas nas localizações, no entanto, «devido à orografia a Ota é a única que se aproxima do limite mínimo admissível, tendo que ser removidas várias linhas de alta tensão e existindo penetrações na superfície de aproximação, constituídas pelo Monte Gordo e Tapada».
«Avaliada a hipótese de acidente na aproximação ou descolagem e hipotéticas consequências quer para passageiros quer para habitantes no enfiamento das pistas, Rio Frio é o que apresenta menor risco» a curto prazo. Seguido pelo Montijo B, Montijo A e Ota. Numa visão a «médio e logo prazo, a zona do Montijo será melhor pelas limitações de construção na envolvente».
Quanto à colisão com aves, devido ao sobrevoo da Reserva natural do Estuário de Tejo, o Montijo surge como a pior localização e a Ota como a melhor. No entanto, os técnicos ressalvaram que «na Portela, os procedimentos de aproximação e descolagem também implicam o sobrevoo do estuário e o cruzamento com rotas de migração de aves. E entre 1986 e 1993, em 516 mil movimentos, registaram-se apenas 36 incidentes».
Perspectiva da engenharia
No relatório lê-se que quanto à topografia «os volumes de terra a movimentar na Ota são extraordinariamente elevados, 15 vezes superiores ao necessário em Rio Frio e 19 vezes relativamente ao Montijo B».
Em relação «a áreas de reserva» para expansão do aeroporto «Rio Frio é a melhor escolha, já que a Ota está condicionada pelas condições topográficas e pela proliferação de obstáculos artificiais, enquanto o Montijo tem os limites da península».
Ver o estudo em: http://www.portugaldiario.iol.pt/extras/nal.pdf
Este artigo continua neste outro http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?div_id=291&id=787484:
Montijo mais «barato» que a Ota
Aspecto ambiental
O Montijo está relativamente próximo do Estuário do Tejo, segundo os técnicos, mas estes referem, quanto a esta dificuldade «que a Portela se encontra, em relação à reserva, a metade da distância da opção Montijo».
Quanto à qualidade da água, o Montijo é a melhor opção porque «não interfere com cursos de água». Enquanto que «na Ota e no Rio Frio a hidrologia local poderá ser afectada, obrigando a intervenções significativas a fim de evitar inundações».
Esforço financeiro global: na perspectiva do sector público
O estudo concluiu que a opção «Montijo B apresenta o valor mais reduzido nos custos directos do aeroporto e a Ota os custos mais elevados». Já na perspectiva «dos custos das infraestruras de acessos e transportes, a opção Montijo (A e B) é a que apresenta menor valor e o Rio Frio o valor mais elevado».
Segundo o relatório, a opção Montijo B, tal como outras, podia ainda operar em simultâneo com a Portela.
No total e segundo valores de 1994 um aeroporto no Montijo B custaria 1,146 mil milhões de euros e a Ota chegaria aos 1,557 mil milhões de euros. Recorde-se que agora as previsões para o custo do Novo Aeroporto de Lisboa já ascendem a 3,1 mil milhões de euros.
Localizações analisadas
Orientações consideradas: Montijo A (03/21 - Norte/Sul); Montijo B (08/26 - Este/Oeste); Rio Frio (17/35) e Ota (01/19).
De acordo com Direcção de Estudos Aeroportuários, todos os locais, na margem Sul - Montijo e Rio Frio - obrigam à desactivação do Campo de tiro de Alcochete e da Base aérea nº 6 do Montijo.
Depois deste «Estudos de Localização» a opção Montijo foi afastada apesar de «vencedora» no conjunto de todos os pontos analisados. E o motivo não é perceptível. Segundo a NAER revela nos documentos divulgados no seu site, «os estudos foram concluídos sem definida qualquer localização. Rio Frio reunia um bom conjunto de vantagens casuais e a Ota um bom impacto a nível de desenvolvimento regional. O Montijo reunia aspectos positivos em todas as áreas, menos no impacto ambiental e social» e, por isso, deixou de ser opção.
Madrid sem concorrência
Outro dado curioso deste estudo prende-se com a visão dos técnicos relativamente ao aeroporto de Madrid: admitem que este «será o principal aeroporto do Sul da Europa. E que Lisboa deve ser vista como um complemento para distribuir pela Europa o tráfego da África e da América Latina».
Em seguida justificam: «Por análise comparativa dos fluxos de tráfego por continente dos dois aeroportos e dada a disparidade do dimensionamento desse mesmo tráfego, o aeroporto de Lisboa nunca poderá competir com o aeroporto de Madrid na hipótese de se tornar um Hub».



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